2026 chegou. Copa, eleições com IA… e você já está sentindo os desafios deste ano?

Não é novidade que este é um ano que já começou desafiador para a comunicação e para comunicadores das periferias do Brasil. Todos os dias, esses profissionais constroem, tijolo por tijolo, uma comunicação que forma opinião pública em seus territórios e sustenta a democracia no cotidiano.

Apesar de ser uma palavra muito presente no discurso, a democracia ainda carrega fragilidades profundas. A ausência de informações que impactam diretamente a vida nos territórios — em um país onde 30 milhões de pessoas vivem em desertos de notícias — cria um cenário fértil para a desinformação. As consequências são graves e recaem, sobretudo, sobre quem sustenta este país: o povo.

Em 2026, esse contexto se intensifica. O ano é marcado por eleições gerais e por um ambiente informacional cada vez mais complexo. Segundo o DataSenado, sete em cada dez brasileiros já tiveram contato com alguma notícia falsa. Com o avanço da Inteligência Artificial, o volume de vídeos e imagens manipuladas cresce assustadoramente, tornando ainda mais difícil distinguir o que é real. Informar as comunidades, nesse cenário, se torna um dos maiores desafios da comunicação da ponta.

Por aqui, na Énois, temos apostado em novas formas de combater a desinformação e ampliar o acesso à informação. Uma dessas estratégias é o projeto Arte é Informação, que reconhece a arte como linguagem potente de comunicação popular. Apenas no ano passado, a iniciativa formou e interagiu com mais de 100 artistas, comunicadores, lideranças e produtores culturais de cinco periferias da cidade de São Paulo (SP).

12 de julho de 2025 – Turma de pessoas trans do Arte é Informação, no Grajaú (SP)

O objetivo é informar a partir das linguagens que as populações já produzem. Seja por meio de um som, de um grafite ou de uma fotografia, a arte se torna ferramenta de mobilização, diálogo e fortalecimento da democracia.

Em 2026, ano eleitoral, essa estratégia ganha ainda mais centralidade ao manter no foco do debate público temas estruturantes como sistemas alimentares, justiça climática e justiça social. Essa abordagem também se conecta ao Prato Firmeza, ampliando o olhar para outros biomas, como o resultado do Prato Firmeza Amazônia, e traçando outras possibilidades de articulação e mobilização coletiva.

25 de outubro de 2025 – Lançamento do Prato Firmeza Amazônia, que uniu arte, alimentação e clima, em Manaus (MA)

A Énois tem se consolidado como uma fomentadora e articuladora de redes de comunicação periférica em todo o Brasil. Nosso compromisso é fortalecer iniciativas que prestam serviços essenciais às suas comunidades, garantindo que a comunicação tenha condições mínimas de atuação, com estrutura, recursos e equipes capazes de prestar informações de interesse público com continuidade e responsabilidade.

Equipe de colaboradores fixos da Énois

Em 2025, esse compromisso se traduziu em resultados concretos: foram 90 pessoas contratadas em todo o Brasil; mais de 70% das pessoas contratadas são pretas, pardas ou indígenas, e mais de 55% são mulheres. São essas profissionais que tornam possível o exercício coletivo da cidadania e seguem construindo democracia a partir dos territórios. Em um cenário de tantos desafios, é fundamental seguir abrindo trilhas para garantir condições dignas de trabalho para comunicadores e artistas periféricos, assegurando sustentabilidade, cuidado e longevidade para quem informa o país.

O Relatório Institucional da Énois 2025, que estará disponível ainda esta semana no site da Énois, reúne as ações, aprendizados e caminhos trilhados ao longo do último ano, além de nos provocar a seguir fortalecendo perspectivas para 2026. Em um ano decisivo para o Brasil, reafirmamos nossa missão: fortalecer a comunicação comunitária brasileira, apoiar quem informa a partir dos territórios e apostar na comunicação como prática fundamental para a garantia de direitos.