{"id":2557,"date":"2025-06-09T18:34:42","date_gmt":"2025-06-09T21:34:42","guid":{"rendered":"https:\/\/enois.org\/?p=2557"},"modified":"2025-06-09T18:34:42","modified_gmt":"2025-06-09T21:34:42","slug":"thiago-castanho-amazonia-pode-saltar-do-estereotipo-da-comida-diferente-para-protagonismo-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enois.org\/en\/thiago-castanho-amazonia-pode-saltar-do-estereotipo-da-comida-diferente-para-protagonismo-global\/","title":{"rendered":"Thiago Castanho: \u201cAmaz\u00f4nia pode saltar do estere\u00f3tipo da \u2018comida diferente\u2019 para protagonismo global\u201d"},"content":{"rendered":"<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"ember58\"><\/h3>\n\n\n\n<p id=\"ember59\"><strong>H\u00e1 milhares de anos a cultura alimentar amaz\u00f4nica aponta caminhos de resili\u00eancia \u00e0 crise clim\u00e1tica, diz chef paraense na introdu\u00e7\u00e3o do pr\u00f3ximo Prato Firmeza, ra\u00edzes da culin\u00e1ria brasileira.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"ember59\">Estamos a todo vapor na produ\u00e7\u00e3o de uma edi\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/pratofirmeza.com.br\/\">Prato Firmeza<\/a> voltada \u00e0 culin\u00e1ria amaz\u00f4nica. O \u201cPrato Firmeza Amaz\u00f4nia: ra\u00edzes da culin\u00e1ria brasileira\u201d nasceu tr\u00eas anos atr\u00e1s, antes sequer de sabermos que se avizinhava o an\u00fancio da realiza\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia das Partes (COP) na regi\u00e3o e, especificamente, em Bel\u00e9m, capital paraense. A COP, para quem ainda n\u00e3o est\u00e1 totalmente por dentro, \u00e9 a reuni\u00e3o anual dos representantes de pa\u00edses e territ\u00f3rios signat\u00e1rios da Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a do Clima (UNFCCC).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ember60\">J\u00e1 naquele momento, entendemos que mais que um guia que mapeia iniciativas de gastronomia nas periferias, o Prato Firmeza havia se tornado uma plataforma para discuss\u00e3o sobre comida, seguran\u00e7a e cultura alimentar. Mergulhamos na discuss\u00e3o sobre as ra\u00edzes da comida brasileira por meio da comida ind\u00edgena e do olhar para esse territ\u00f3rio que ocupa mais da metade do mapa brasileiro. Porque \u00e9 na Amaz\u00f4nia onde ainda est\u00e3o preservadas culturas, saberes e tecnologias alimentares e medicinais que remontam a civiliza\u00e7\u00f5es milenares. Hoje j\u00e1 sabemos que a floresta amaz\u00f4nica foi constru\u00edda por um processo agroflorestal, t\u00e9cnica que remonta \u00e0 presen\u00e7a dos povos ind\u00edgenas desde doze mil anos atr\u00e1s, como afirma Jo\u00e3o Paulo Tukano, doutor em antropologia pela Universidade Federal do Amazonas. Ou seja, o manejo de esp\u00e9cies e planta\u00e7\u00f5es que utilizamos at\u00e9 hoje foi impulsionado pela vida em grandes agrupamentos duradouros dos povos amaz\u00f4nicos, com trocas constantes com outras popula\u00e7\u00f5es, como as andinas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cForam desenvolvidas t\u00e9cnicas de cer\u00e2mica, arquitetura, de manejo da floresta, da terra, das cachoeiras e rios, t\u00e9cnicas de manipula\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o de alimentos, seja de frutas, pescado, ca\u00e7a\u2026\u201d, enumera o professor Jo\u00e3o Paulo. \u201cEsses conhecimentos se tornaram essenciais para outros povos que habitam a Amaz\u00f4nia e s\u00e3o utilizados atualmente por fam\u00edlias nesse territ\u00f3rio. S\u00e3o saberes que foram incorporados n\u00e3o apenas pelos colonizadores europeus, mas tamb\u00e9m por popula\u00e7\u00f5es urbanas e ribeirinhas\u201d, conta.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/enois.org\/wp-content\/uploads\/sites\/18\/2025\/10\/1749489566809-1024x768.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2558\" srcset=\"https:\/\/enois.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1749489566809-1024x768.png 1024w, https:\/\/enois.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1749489566809-300x225.png 300w, https:\/\/enois.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1749489566809-768x576.png 768w, https:\/\/enois.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1749489566809.png 1333w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Cr\u00e9dito: Daniel Vinagre \/ Prato Firmeza Amaz\u00f4nia<\/em><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Como fala Thiago Castanho, cozinheiro paraense e pesquisador da culin\u00e1ria amaz\u00f4nica, na introdu\u00e7\u00e3o desta nova edi\u00e7\u00e3o do Prato Firmeza, \u201ca Amaz\u00f4nia tem a chance de saltar do estere\u00f3tipo da \u2018comida diferente\u2019 para uma posi\u00e7\u00e3o de protagonismo global. Enquanto o mundo discute como alimentar popula\u00e7\u00f5es de forma sustent\u00e1vel e regenerativa, a resposta j\u00e1 vem sendo praticada h\u00e1 s\u00e9culos pelos povos ind\u00edgenas e pelas comunidades tradicionais da Amaz\u00f4nia, que ao longo dos anos vem tamb\u00e9m perdendo sua soberania alimentar para ultraprocessados da grande ind\u00fastria\u201d, afirma.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ele lembra como a mandioca foi classificada pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO) como uma &#8220;cultura do s\u00e9culo XXI&#8221;, por sua incr\u00edvel resili\u00eancia \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Algo que j\u00e1 \u00e9 de conhecimento de quem planta e colhe mandioca todos os anos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/enois.org\/wp-content\/uploads\/sites\/18\/2025\/10\/1749489633717-1024x683.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2560\" srcset=\"https:\/\/enois.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1749489633717-1024x683.png 1024w, https:\/\/enois.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1749489633717-300x200.png 300w, https:\/\/enois.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1749489633717-768x512.png 768w, https:\/\/enois.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1749489633717.png 1300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Cr\u00e9dito: M\u00e1cio Ferreira \/ Ag\u00eancia Par\u00e1<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p id=\"ember68\">As popula\u00e7\u00f5es das florestas, \u00e1reas rurais e periferias urbanas s\u00e3o, ao mesmo tempo, as que carregam saberes essenciais para a seguran\u00e7a alimentar do futuro e as mais sentem os impactos da crise clim\u00e1tica. Os rios secam, as cheias acabam com as planta\u00e7\u00f5es, as esp\u00e9cies morrem, os frutos e vegetais perdem a qualidade nutricional e o sabor. O alimento fica mais caro, o prato vai ficando vazio. Para quem empreende nas periferias, os insumos v\u00e3o rareando e tornando o pre\u00e7o final do produto mais caro. O espa\u00e7o para alimentos ultraprocessados, como Thiago pontuou, se amplia como op\u00e7\u00e3o. Do a\u00e7a\u00ed com peixe, passamos ao a\u00e7a\u00ed com mortadela. E mesmo esse fruto t\u00edpico est\u00e1 escasso nas tigelas e cuias amaz\u00f4nicas, por conta do aumento do pre\u00e7o decorrente da moda procura no mercado externo.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ember69\">O Prato Firmeza fortalece caminhos poss\u00edveis, olhando para a ancestralidade: existem solu\u00e7\u00f5es sendo colocadas em pr\u00e1tica n\u00e3o s\u00f3 agora, como h\u00e1 milhares de anos, que devem ser valorizadas, conservadas e resgatadas. Destacamos a cultura alimentar amaz\u00f4nica para apontar que existem caminhos que aliam seguran\u00e7a alimentar e conserva\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o resilientes \u00e0 crise clim\u00e1tica, que s\u00e3o tecnologias refer\u00eancia para o planeta.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ember70\">A discuss\u00e3o sobre alimenta\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00f3 ganhou for\u00e7a na COP em 2021, com a a <a href=\"https:\/\/pt.glasgowdeclaration.org\/the-glasgow-declaration\">Declara\u00e7\u00e3o de Glasgow sobre a Alimenta\u00e7\u00e3o e o Clima.<\/a> Com a COP chegando a Bel\u00e9m, \u00e9 urgente colocar a Amaz\u00f4nia como protagonista desse debate.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ember71\">O Prato Firmeza vem para somar nesse esfor\u00e7o, pautando inclusive a alimenta\u00e7\u00e3o no pr\u00f3prio evento. Em vez de coordenada por grandes redes de fast-food globais, como costuma ser, a comida na COP deve fortalecer sistemas alimentares justos e locais, como tem pleiteado o Instituto Regenera, a Assobio e a iniciativa Comida do Amanh\u00e3 com a frente de atua\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/namesadacop30.org.br\/\">\u201cNa mesa da COP-30\u201d<\/a>. Nosso papel est\u00e1 em trazer a macro discuss\u00e3o ambiental para a mesa perif\u00e9rica. Enquanto negocia\u00e7\u00f5es entre governos e empresas ocorrem longe do cotidiano, as comunidades locais t\u00eam dado respostas concretas. Registrar e compartilhar o trabalho de comunidades e pequenos empreendimentos amaz\u00f4nicos \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o potente pelo clima. A partir das mesas e da cultura perif\u00e9rica, o Prato Firmeza promove pratos e receitas que est\u00e3o adiando o fim do mundo.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 milhares de anos a cultura alimentar amaz\u00f4nica aponta caminhos de resili\u00eancia \u00e0 crise clim\u00e1tica, diz chef paraense na introdu\u00e7\u00e3o do pr\u00f3ximo Prato Firmeza, ra\u00edzes da culin\u00e1ria brasileira. Estamos a todo vapor na produ\u00e7\u00e3o de uma edi\u00e7\u00e3o do Prato Firmeza voltada \u00e0 culin\u00e1ria amaz\u00f4nica. 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