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Quando a arte fortalece o direito à informação: os caminhos do Arte é Informação

A arte produz conhecimento. Ela preserva memórias, amplia repertórios, cria espaços de encontro e fortalece formas coletivas de compreender e transformar a realidade. Nas periferias, onde cultura, comunicação e organização comunitária caminham juntas, a produção artística também é uma forma de produzir informação, fortalecer vínculos e mobilizar pessoas em torno dos desafios comuns do território.

Foi dessa compreensão que a Énois idealizou o Arte é Informação, projeto realizado para aproximar arte, comunicação comunitária e direito à informação. Ao longo de meses, artistas, comunicadores e produtores culturais das periferias de São Paulo participaram de formações, desenvolveram pesquisas em seus territórios e criaram obras que discutem alimentação, clima e os saberes produzidos pelas próprias comunidades. O projeto buscou fortalecer pessoas, criar conexões e ampliar as possibilidades de atuação de quem já produz cultura nas periferias.Os resultados ajudam a contar essa história.

Foram 62 artistas e comunicadores participando das formações, 10 projetos artísticos desenvolvidos, 82 obras produzidas, 40 profissionais contratados durante a execução do projeto, e pouco mais de R$ 330 mil reais destinados diretamente à realização das atividades e à remuneração de artistas e fornecedores. A Énois também produziu mais de 2 mil exemplares do livro Arte é Informação, dos quais 1.600 já foram distribuídos gratuitamente. Mas os números contam apenas parte da história.

Durante a formação aberta, realizada entre março e abril, participantes compartilharam experiências, discutiram produção cultural e trocaram ferramentas para transformar ideias em projetos possíveis. Para muitas pessoas, o percurso foi também um momento de reconhecer a própria trajetória.

“Conteúdos válidos para a reflexão da construção dos projetos. Como entender seus próprios desejos, como estruturá-los, como precificá-los, tudo isso foi de extrema importância pra minha formação enquanto produtora”, conta a artista Gabriela Canuto Silva.

A experiência também chamou atenção pela forma como foi construída. “Achei muito interessante a abordagem. Foi bem diferente do que é de costume acontecer com esses tipos de formação. Trouxe bastante reflexão para as pessoas”, relata a artista Helena Pandora Cruz de Souza.

Já para a artista Karen Julieth García Galindo, o principal aprendizado esteve nas trocas entre quem já atua no campo da cultura e quem estava começando. “Foi bom ouvir experiências de pessoas que têm uma longa trajetória e também de colegas que participaram da formação. Para além das dicas sobre formulação de projetos, foi importante para pensar a atuação, as parcerias e as estratégias.”

Enquanto essa formação acontecia, parte do grupo mergulhava em um processo imersivo de criação artística. Durante meses, dez projetos foram desenvolvidos a partir de pesquisas de território, encontros coletivos e experimentações em diferentes linguagens, como fotografia, audiovisual, poesia, performance e arte urbana.

O resultado ocupou quatro territórios periféricos de São Paulo (SP); Brasilândia, Grajaú, Paraisópolis e São Mateus; as exposições foram acompanhadas por saraus, oficinas, rodas de conversa e apresentações culturais, fortalecendo espaços comunitários que já atuam nesses territórios e ampliando as conexões entre artistas e organizações locais.

Para quem participou da residência, o impacto foi além da produção das obras.

“Acredito que o maior impacto foi todo o material criado para as exposições e apresentações nos espaços. É algo único, criado a partir de uma vivência coletiva, que dialoga com diferentes realidades e conversa com o público que teve a oportunidade de interagir com as obras”, afirma o artista Adler da Silva Martins.

Na avaliação do artista Hermeson de Morais (Ticano), o projeto ampliou sua compreensão sobre o papel da arte na transformação social. “Além de fortalecer minha atuação cultural, o projeto proporcionou novas conexões, troca de conhecimentos e oportunidades de desenvolvimento, contribuindo para o crescimento da FavelArte Galeria Suburbana e para o fortalecimento das ações culturais no território.”

Essas histórias dialogam diretamente com os impactos identificados pela execução do projeto: fortalecimento de redes entre coletivos, geração de novas oportunidades profissionais, valorização de saberes periféricos e ancestrais e ampliação das ações culturais nos territórios envolvidos.

No livro Arte é Informação foram reunidas entrevistas, reflexões e experiências sobre as relações entre arte, comunicação comunitária e democratização da informação nas periferias brasileiras. A publicação foi lançada durante o circuito de exposições e segue disponível gratuitamente em versão digital.

O Arte é Informação termina deixando um legado que não cabe apenas nas obras produzidas. Ele permanece nas redes criadas entre artistas, organizações e territórios, nas novas possibilidades abertas para quem participou do processo e na certeza de que produzir arte também é produzir conhecimento, fortalecer memórias e ampliar o direito à informação.

Leia o livro Arte é Informação gratuitamente: https://caixadiversidade.enois.org/pagina-manuais/